Momento Cine – Os Incompreendidos
O momento cinema dessa semana é um passeio pela maravilhosa e encantadora Paris. Uma obra que merece ser vista e discutida. O retrato da juventude dos anos 50, delicado, emocionante e sombrio.

Antoine Doinel
Algumas semanas atrás recebi um presente em forma de arte condensada na sua melhor forma. Um novo amigo passou os dias que antecederam o acontecido, relatando sua paixão por uma certa obra do cinema francês e um dos maiores marcos da “nouvelle vague” (movimento artístico do cinema francês que se insere no movimento contestatário próprio dos anos sessenta). Filme na mochila depois de uma tarde maravilhosa. Dois dias depois sentei e me preparei para viver na França fria e retratada em preto e branco de forma única. O filme de François Truffaut retrata o cotidiano de um garoto de 12/13 anos que sendo negligenciado pela mãe, interpretada bela belíssima Claire Maurier, atravessa problemas típicos e geralmente não valorizados nessa idade. O que me chamou atenção foi exatamente isso, a forma como os temas abordados continuam atuais. O garoto Antoine Doinel é interpretado pelo encantador Jean-Pierre Léaud. O garoto possui luz própria e um olhar que em alguns momentos fala mais que qualquer frase. Abandonado pela mãe, ignorado pelo padrasto, castigado por um professor ditador, Antonie decide seguir seu caminho. Com isso ele acaba cometendo pequenos delitos, até o ponto em que seus pais decidem internar-lo em um reformatório do governo. O principal sentimento tratado no filme é o da inadequação. Drama vivido por pessoas até hoje que não conseguem encontrar lugar no mundo. O diretor consegue fazer você se identificar com o enredo e o julgamento diante de certos acontecimentos é a última opção. O brilhantismo na forma como as cenas são filmadas e o toque emocional que retirou lágrimas sinceras da pessoa que escreve, são os pontos altos. A cena onde crianças são filmadas assistindo a uma pequena peça é uma das minhas preferidas. O olhar de cada uma reflete a inocência na sua melhor forma. No caso do nosso protagonista, o brilho não é o mesmo, mas ainda está lá. Foram duas horas de pura reflexão e magia. O encontro com a realidade universal vivida por crianças no mundo todo.
Ps : Adorei a cena em que o amigo vai visitá-lo no reformatório e não deixam ele entrar. Meu coração foi no chão.
Ps 2 : A cena final é como respirar depois de tudo, uma cena onde a expressão fala muito.
Ps 3 : A cena em que Antonie bebe leite na rua é linda também. Essa foi para você doutor!
Trailer do filme :
Foto do Diretor :

François Truffaut
Cena inesquecível 1 :
Jean-Pierre Léaud e o tempo :



Liberdade :
Curiosidade :
- François Truffaut (1932-1984) não gostava de admitir, mas teve uma infância bem parecida com a do protagonista de Os Incompreendidos. Amargou problemas com os pais, aplicou pequenos golpes e acabou confinado num reformatório juvenil.
- Quando Os Incompreendidos recebeu o prêmio de melhor direção no festival de Cannes, Godard fez a comemoração mais célebre. “Nós, como críticos, vencemos com o princípio de que um filme de Alfred Hitchcock é tão importante quanto um livro de Louis Aragon“, escreveu. “Hoje a vitória é nossa“. Eles, como críticos, tinham princípios ainda mais ousados. “Qualquer um pode ser diretor de cinema” e “só o amadorismo salvará o cinema” eram outros dos lemas de Truffaut e Godard nos seus dias de verão.
- No começo do filme a uma dedicatória a senhorita Jeanne Moureau, estrela da obra máxima de Truffaut “Jules e Jim”, com uma pequena participação dela na película, tente encontra-la ela é uma mulher com um cão.
- O título original é uma referência à expressão francesa “faire les quatre cents coups“. Algo como “pintar o sete”.
- Assim como Jeanne Moureau, Truffaut também faz uma pequena ponta no filme, é uma daquelas no melhor estilo Hitchcock, pois ele era muito fã do diretor inglês, dica ele é um homem fumando, tente encontra-lo, mas tem que estar bem atento.
- O filme ganhou o premio de melhor filme estrangeiro pela New York Film Critics Circle; o premio de melhor diretor do Festival de Cinema de Cannes; e foi indicado ao Oscar como melhor roteiro e melhor história original.
Ficha técnica :
título original:Les Quatre Cents Coups
gênero:Drama
duração:01 hs 39 min
ano de lançamento:1959
estúdio:Sédif Productions / Les Films du Carrosse
distribuidora:Cocinor
direção: François Truffaut
roteiro:François Truffaut e Marcel Moussy, baseado em estória de François Truffaut
produção:François Truffaut
música:Jean Constantin
fotografia:Henri Decaë
direção de arte:Bernard Evein
edição:Marie-Josèphe Yoyotte
Dvd :

Cartaz :

Foto :

Realidade
Ps 4 : Agradecimentos ao doutor – Companheiro das tardes antes tediosas.
Obs : É o tipo de filme para assistir sozinho. Você e a tela.
Frase : ” se eu digo a verdade eles não acreditam mesmo. então prefiro mentir. “








Nossa… adorei a dica de filme… adoro frances e espero encontrar esse filme por aqui… O texto tbm esta ótimo… Abraços amados !
Vale a pena ver e rever. Um dos grandes momentos do cinema.
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