Especial Jazz

Hoje já não se fala em Jazz Dance como se falava há alguns anos atrás. O fato é que a cultura do Jazz Dance marcou época, fez parte da moda e da cultura oitentista. Mas, nos perguntamos… Qual o futuro do Jazz Dance no Brasil e no mundo? O que se sabe que muitas academias de dança mantêm tradição e continuam ensinando a técnica e os passos de Jazz Dance.
O Jazz Dance pode ser caracterizado por ser uma dança em que há uma explosão de energia que surge dos quadris, isolações dos seguimentos corporais, movimento do tronco e a improvisação. Essa modalidade surgiu nos EUA com a miscigenação das culturas européias e africanas.
Os negros levados para os EUA eram obrigados a dançar para manter a saúde. Vale lembrar que as danças tradicionais dos senhores brancos eram as polcas, as valsas e as quadrilhas, e que os negros os imitavam para ridicularizá-los, mas dançavam de acordo com a visão que tinham da cultura européia, e misturando um pouco com as danças que conheciam, utilizando instrumentos de sua cultura. Então dessa forma, surgiu o jazz, que era uma mistura da imitação dos ritmos europeus com os costumes naturais dos negros.
No início do século XX, as danças afro-americanas começaram a entrar para os salões, e a sofrer novas influências: do can-can e do charleston, principalmente. Logo, essa dança que se pode até chamar de “mista”, tomou conta dos palcos da Broadway, se transformando na conhecida comédia musical (ou ainda teatro musical) que, por sua vez, é o segundo nome dado à dança mais conhecida como jazz.
Os rumores do Jazz Dance começaram a surgir no Brasil a partir da década de 1930/1940 com a popularização do Tap Dance (Sapateado Norte-Americano), porém, ele só marcou presença no país a partir da década de 1950, quando o “Teatro de Revista” começou a veicular shows todos dançados nos moldes dos grandes musicais da Broadway. Destes shows, de musicais televisivos produzidos, principalmente pelas TVs Tupi e Record, e de programas de auditório produzidos pela Rádio Nacional, começaram a surgir bailarinas que, mais tarde, seriam as primeiras professoras de dança jazz no Brasil. Mais tarde na década de 1960, shows brasileiros começaram a ser produzidos por coreógrafos norte-americanos.
No final da década de 1970 e inicio da década de 1980, que o Jazz Dance se tornou popular! O Jazz tinha se tornado uma modinha com a popularização dos musicais hollywoodianos como Cats (1980), Grease (1978), All that jazz (1979), Hair (que já havia estado no Brasil nos anos 60, com o Teatro de Revista e retornava em versão cinematográfica, estreada em 1979), Os embalos de sábado à noite (1978), Fama (1980) e Chorus Line (1985) e vídeo-clips, como os de Madonna e Michael Jackson. E Também pelos programas de auditório, onde as bailarinas apresentavam coreografias de Jazz (outro fator que se fez muito importante para que a modalidade se tornasse moda).
Então, as pessoas começaram a procurar aulas de jazz nas academias de dança, já que estas tinham coreografias parecidas. Vale ressaltar que Madonna fez a lição de casa mais uma vez, com a Blond Ambition em alto estilo… elementos da Broadway, em todo o espetáculo, especialmente em “Express Yourself”, com uma coreografia simples mas cativante, em “Open Your Heart”, também em “Into The Groove”, em “Vogue” (mesmo misturado com a dança vogueing) e em “Keep It Together”… sim, muitas bilus da época se sentiram no dever de aprender a girar piruetas em “passe paralelo”(exatamente como em Into The Groove… Confira na apresentação do Japão, onde exatamente aos 58 segundos os bailarinos giram as piruetas em “Passé Paralelo”:
Atualmente, podemos notar a presença do Jazz em algumas coreografias de artistas como Beyoncé, que no videoclipe de “Single Ladies” faz uma alusão a uma coreografia de Bob Fosse, totalmente tradicional, e também com performers como a própria Madonna (lembrando que na Confessions Tour, Madonna performou coreografias de Jazz Dance em “Music Inferno” e “Erotica”) e Britney Spears, que desde o começo da carreira tem uma linha de “Tradicional Jazz” miscigenada com “Street Jazz” ou ainda “Funky Jazz”. Claro, nada como a modalidade nos anos oitenta, mas que ainda deixa bem viva a dança nos palcos!

Kill the Light – Britney Spears (by Se-Yang)

Beyoncé – Single Ladies Live

All That Jazz – Chicago

Texto: Pedro Henrique Brinck
Obrigado pela Colaboração.

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